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Cinco mulheres roteiristas para você ler (e se inspirar)

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oteirista. Quando ouvimos/lemos essa palavra, mesmo que esta não indique gênero algum, há grandes chances de imaginarmos um homem de óculos redondos, sentado em frente ao computador com uma xícara de café ao lado. Pois é, infelizmente, a predominância masculina ainda é uma realidade super presente no mundo do audiovisual. E isso inclui, é claro, a criação de roteiros.

Só pra dar um exemplo do que estamos falando: apenas 21% dos filmes registrados no catálogo da Agência Nacional de Cinema (Ancine) em 2016 foram roteirizados por mulheres, de acordo com um levantamento feito pela própria agência. Outro relatório, lançado em 2015 pela WGA, nos Estados Unidos, mostra que mulheres assinam o roteiro de cerca de 29% dos programas selecionados para análise.

Mas isso não significa que elas estejam necessariamente em um número menor. Pelo contrário. Mesmo sem, muitas vezes, ter tanto reconhecimento (e somam-se a isso tantos outros fatores desencorajantes), existem muitas roteiristas por aí inventando histórias incríveis e conquistando seu espaço. Selecionamos, então, roteiros de algumas delas para leitura e aproveitamos para falar um pouquinho sobre a trajetória de cada uma. Vamos lá:

Anna Muylaert

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É provável que você conheça Anna Muylaert por causa de Que Horas Ela Volta?. O longa, estrelado pela Regina Casé, trouxe à tona um debate super importante sobre a desigualdade social e relações de poder no Brasil e não é à toa que foi escolhido para representar nosso país na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2016. Antes mesmo disso, porém, paulistana já havia construído um currículo de peso. Entre seus trabalhos como roteirista, estão os filmes É Proibido Fumar, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e Durval Discos.

Leia o roteiro: Durval Discos

Ava Duvernay

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Como as outras mulheres desta lista, Ava Duvernay não é apenas roteirista. A estadunidense, porém, é especialmente versátil. Em seu leque de atividades estão a de direção, relações públicas e até mesmo distribuição de filmes. Ava costuma abordar questões raciais em seus trabalhos e foi a primeira mulher negra a ter uma indicação ao Oscar por Selma A Voz da Igualdade (Selma), longa que dirigiu e do qual afirma se arrepender por não ter reivindicado crédito pelo roteiro (leia mais aqui). Em 2012, Ava dirigiu e escreveu o roteiro de Middle Of Nowhere, filme que lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Sundance.

Leia o roteiro em inglês: Middle Of Nowhere

Greta Gerwig

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Com apenas 34 anos, Greta Gerwig é um dos principais nomes do mumblecore, movimento de filmes independentes que têm como foco os diálogos e as relações entre os personagens. Suas histórias geralmente trazem como protagonistas mulheres jovens que enfrentam os dilemas do começo da vida adulta. Entre os filmes de Greta, estão Frances Ha e Mistress America, os quais escreveu junto a seu parceiro Noah Baumbach. Em 2017, a californiana decidiu que (desculpem pelo trocadilho) era hora de abrir as asas e escrever e dirigir um filme só dela. Assim, nasceu o indicado ao Oscar Lady Bird A Hora de Voar (Lady Bird).

Leia o roteiro em inglês: Mistress America

Ana Luíza Azevedo

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Ana Luíza é uma das fundadoras da Casa de Cinema de Porto Alegre, sua cidade natal. De uma parceria da Casa do Cinema com a Rede Globo, saiu o telefilme Doce de Mãe, que ganhou um Emmy Internacional e traz ninguém menos que Fernanda Montenegro no papel principal. Além de curtas e longas-metragens de ficção, Anna também assina o roteiro de vários documentários, entre eles, Ventre Livre, de 1994, que fala sobre aborto e liberdade de escolha da mulher sobre o próprio corpo — algo bastante progressista para a época, se pensarmos sobre o enorme tabu que existe até hoje em torno do tema.

Leia o roteiro: Ventre Livre

Gina Prince-Bythewood

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Gina Prince-Bythewood iniciou sua carreira como roteirista de tv, em programas como a sitcom “A Different World” e a série dramática “Felicity”. Em 2000, a estadunidense lançou seu primeiro longa-metragem, Além dos Limites (Love And Basketball), que estreou no Festival de Sundance. Entre seus outros filmes de destaque, estão A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life Of The Bees) e Nos Bastidores da Fama (Beyond The Lights). No momento, Gina está trabalhando em Silver And Black, filme derivado do universo de Homem Aranha, que será lançado em 2019. Será o primeiro filme de super-herói dirigido e escrito por uma mulher negra. Já não era sem tempo, não é?

Leia o roteiro em inglês: Love And Basketball

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