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#26 • Aleppo, um poema de Maya Falks

I Havia sim um elo entre todos Que não fossem de raça, credo ou origem Respiravam o mesmo ar pesado de morte Respiravam na dança macabra da fuligem Sob botinas de couro e borracha o chão parecia de nuvem Fumaça para todos os lados entre corpos marcados, anjos perdidos Povos sem lar, sem rumo e [...]
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#25 • Com armas sonolentas, romance de Carola Saavedra

S empre lhe pareceu que havia uma dissonância entre o que desejava e o que realmente queria. Como se todo desejo viesse encoberto por uma espessa camada de autoengano, um inevitável mal‑entendido. E satisfazer suas vontades ou vê‑las satisfeitas nada mais era do que o prenúncio de uma queda, cada vez mais célere, cada vez [...]
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#24 • Um poema de Karina Rabinovitz

poema didático meio óbvio de uma mulher cansada sobre um homem que deve estar cansado um homem nasce de uma mulher um homem escreveu que uma mulher nasceu de sua costela um homem escreveu que deus teve somente um filho homem um homem escreveu que o único filho de deus foi seduzido por uma mulher [...]
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#23 • Mulher, um poema de Thalita Coelho

a solidão necessária para se aproximar do outro, não, da outra. para se enxergar e pôr no papel, melhor, na folha, para que uma mulher passe os olhos, digo, a visão, sobre todo o meu corpo, perdão, minha matéria e substância, e possa ler nas entrelinhas e linhas de expressão, nas marcas, não de roupa, [...]
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#20 • Para Antonio, um conto de Luciany Aparecida

S ou Benta. Possuo um filhozinho de 41 anos. Aplico em minha cria meus métodos. Ele era todo errado. Errado porque nasceu. Errado porque não teve pai. Errado porque demorou de me trazer a felicidade. Errava todos os dias. Castigado todos os dias. Quando menor, abria seu olho até esbugalhar. Ele ficava muito engraçado. Queria [...]
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#18 • Em memória de Assionara Souza

Cecília não é um cachimbo, um conto de Assionara Souza O cachimbo é um cigarro que já vem com cinzeiro. E aqui temos três coisas: um cachimbo; um cigarro; um cinzeiro. Sendo que a primeira: o cachimbo, como se disse antes, pode reconhecer-se como uma junção da segunda: o cigarro; e da terceira: o cinzeiro. [...]
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#26 • Aleppo, um poema de Maya Falks

I Havia sim um elo entre todos Que não fossem de raça, credo ou origem Respiravam o mesmo ar pesado de morte Respiravam na dança macabra da fuligem Sob botinas de couro e borracha o chão parecia de nuvem Fumaça para todos os lados entre corpos marcados, anjos perdidos Povos sem lar, sem rumo e [...]
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#25 • Com armas sonolentas, romance de Carola Saavedra

S empre lhe pareceu que havia uma dissonância entre o que desejava e o que realmente queria. Como se todo desejo viesse encoberto por uma espessa camada de autoengano, um inevitável mal‑entendido. E satisfazer suas vontades ou vê‑las satisfeitas nada mais era do que o prenúncio de uma queda, cada vez mais célere, cada vez [...]
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#24 • Um poema de Karina Rabinovitz

poema didático meio óbvio de uma mulher cansada sobre um homem que deve estar cansado um homem nasce de uma mulher um homem escreveu que uma mulher nasceu de sua costela um homem escreveu que deus teve somente um filho homem um homem escreveu que o único filho de deus foi seduzido por uma mulher [...]
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#23 • Mulher, um poema de Thalita Coelho

a solidão necessária para se aproximar do outro, não, da outra. para se enxergar e pôr no papel, melhor, na folha, para que uma mulher passe os olhos, digo, a visão, sobre todo o meu corpo, perdão, minha matéria e substância, e possa ler nas entrelinhas e linhas de expressão, nas marcas, não de roupa, [...]
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#20 • Para Antonio, um conto de Luciany Aparecida

S ou Benta. Possuo um filhozinho de 41 anos. Aplico em minha cria meus métodos. Ele era todo errado. Errado porque nasceu. Errado porque não teve pai. Errado porque demorou de me trazer a felicidade. Errava todos os dias. Castigado todos os dias. Quando menor, abria seu olho até esbugalhar. Ele ficava muito engraçado. Queria [...]
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#18 • Em memória de Assionara Souza

Cecília não é um cachimbo, um conto de Assionara Souza O cachimbo é um cigarro que já vem com cinzeiro. E aqui temos três coisas: um cachimbo; um cigarro; um cinzeiro. Sendo que a primeira: o cachimbo, como se disse antes, pode reconhecer-se como uma junção da segunda: o cigarro; e da terceira: o cinzeiro. [...]
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#15 • Farrina, um conto de Cidinha da Silva

E ra, de longe, a mulher mais alta de quem já havia me aproximado. Estava sentada na recepção do museu de um jeito bem infantil, as pernas muito abertas e o tronco inclinado e projetado para frente, como um menino aficionado por videogame. Só mudava a postura para manusear o celular. Ali denunciava a idade, [...]
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#13 • 8 Poemas de Alejandra Pizarnik

Árvore de Diana Trecho da apresentação de Marília Garcia ao livro Árvore de Diana: “Lendo os diários da autora escritos neste período, podemos identificar algumas leituras que ela fazia e as preocupações com procedimentos e com os caminhos a serem tomados (“O que escrever? Para quê? Para quem? De que maneira? Quando? Como? Por quê?”.) [...]
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#12 • Escaleno, um conto de Luci Collin

E m F amo as expressões equilibradas, a habilidade em elaborar enredos riquíssimos para descrever pequenos acontecimentos abalando assim a estreiteza dos cotidianos, emprestando luz ao fosco ao embrutecido. E quando vejo a sua boca dizendo sobre a vida, me orgulho em pertencer àquele universo, me alegra saber que os toques daquelas mãos muitas vezes [...]
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#11 • Columbídeas, de Carol Rodrigues

C ontam que ela olhava um horizonte inexistente mas olhava tão longe via mesmo o Grande Santo, que ela usava sete saias cada uma de um tom dos sete tons da terra e que por baixo delas nada havia mas que cada saia ornamentava um corpo maior do que era um corpo de boneca em [...]
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#9 • Mimimi, de Adelaide Ivánova

O mimimi foi escrito em julho de 2017, ou seja, antes do assassinato de marielle franco. depois da execução da vereadora, em 14 de março de 2018, fica impossível lê-lo da mesma forma. esse texto portanto passa a ser dedicado a ela. marielle, presente! *** Pág. 75 “O problema não é que as pessoas lembrem [...]
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#8 • Um buraco com meu nome, de Jarid Arraes

há tardes e pequenos espaços de tempo em que uma mulher pergunta de que adianta se as mãos dos homens dirigem o metrô e os ônibus os carros blindados as motos que serpenteiam entre corredores breves se as mãos dos homens assinam os papéis e carimbam autorizam o prontuário a entrada e a saída do [...]
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#6 • Feliz Aniversário, de Luisa Geisler

A s tias permaneceram no carro, Sofia e a mãe só buscam o bolo, questão de minutos. Saem da confeitaria, a mãe carregando, com as duas mãos, a caixa. No banco do carona, Juliana, a prima, destrava as portas. Os óculos de sol, a janela aberta e a camiseta de mangas longas da prima são [...]
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#4 • Jamais o Fogo Nunca, de Diamela Eltit

E u tinha me transformado numa não, não, nunca oficializada subalterna sua. Complementava suas análises, porque afinal eu tinha meu próprio arsenal, minha passagem indiscutível e memorável por cada uma das escolas de quadros, meu prestígio como analista, toda uma experiência prolongada e aguda no ramo da linguística e minha preparação científica no estudo de [...]
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#3 • Dobradinha, de Sheyla Smanioto

E sses dias eu estava voltando pra casa e uma mulher, nunca vou esquecer o rosto dela, os cabelos compridos, ela me pediu dinheiro para comer e eu, com pressa, fazendo conta, e eu, que geralmente dou um jeito, arranjo um lanche, eu apressada, concreta, paulista, falei que não tinha. Eu nunca vou esquecer a [...]
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#2 • A reconstrução, de Moema Vilela

O homem está ajoelhado na banheira de água quente. O vapor sobe da cuba de louça branca, instalada no centro da sala como antigamente. Ele se debruça para alcançar a navalha no chão e volta a sentar sobre os joelhos. Apesar do silêncio, a mulher no sofá ao lado dele está vendo televisão. Com atenção, [...]
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#1 • Formiguinhas, de Natalia Borges Polesso

V em caminhando com passinhos tão pequenos quanto os pés. Calça botinhas vermelhas de nylon, compridas até a metade da canela. Distrai-se com emendas de cimento entre uma pedra e outra do calçadão da praça. Finge que são rios. De longe, pai e mãe observam a menina do cabelo preto. Corre para perto dos pais. [...]

Pedro Collere, 55 | Vila Izabel
Curitiba – PR – CEP: 80320-320
+55 41 3077-1604
oi@escrevo.etc.br

As colagens utilizadas no site são da artista Eugenia Loli.

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